Baby Rose

Um Dos Melhores Do Ano. Eis O Terceiro Álbum de Baby Rose, ‘Yearnalism’

Nesta edição, percorremos a alma da black music em todas as suas camadas: do R&B intimista ao funk contagiante, da elegância europeia ao brilho dos clássicos revisitados — tudo feito com mãos, vozes e instrumentos reais, sem artifícios.

Foto: MT Jones

Samm Henshaw abre o programa com Closer, canção que mistura a herança gospel de sua criação nigeriana em Londres a uma ternura que lembra Marvin Gaye, falando de proximidade e sentimento com uma voz que nos leva ao centro da Motown. E é exatamente esse sentimento que MT Jones traz em I Don’t Understand com a leveza do soul britânico contemporâneo, melodia cativante e arranjo sem exageros. Fecha esse início Jafunk ao lado da seção de metais Triple H Horns e do vocalista Stefan Mahendra: Do It for Love reúne baixo pulsante e sopros brilhantes. Que energia.

Foto: Selah Sue

Segue o Jazzmasters com um destaque especial: Baby Rose. A cantora de voz grave, densa e inconfundível, comparada a grandes vozes do jazz e do soul, vem com seu terceiro álbum ‘Yearnalism’. Em But, Nvm ela canta sobre o sentimento que fica mesmo quando o caminho muda. Com produção sóbria e intimista, ela mostra por que é uma das artistas mais respeitadas da nova geração: sua interpretação carrega força e vulnerabilidade em medida exata, e toca fundo. Ouvi o álbum completo transitando do som da Motown ao soul da Filadélfia, passando por raridades da Stax, o blues de Big Mama Thornton, e muito de Tracy Chapman e Nina Simone. Em seguida, Selah Sue se une ao projeto familiar The Gallands, pai e filho Stéphane e Elvin Galland em Movin’, onde a percussão orgânica e a voz inconfundível da belga conduzem a mensagem de seguir adiante com coragem. Papik fecha esse bloco ao lado da Soultrend Orchestra e Nadyne Rush em Let’s Fall In Love, unindo elegância orquestral italiana ao calor do soul internacional em uma canção leve, romântica e dançante.

Foto: Mattie Safer – lovetempo

A sofisticação da soulful house vem com Cafe 432 e o experiente vocalista Lifford em My Bell, batida envolvente casa bem com lovetempo — projeto do músico Mattie Safer, ex-integrante da banda The Rapture, que apresenta The Sun, faixa marcante que mistura nu-disco e suavidade, comparando o amor à luz que aquece e guia. Peach Tree Rascals encerra essa trinca com a alegria contagiante de Dance the Night Away, onde o coletivo californiano mistura funk, jazz e leveza pop em uma celebração simples e verdadeira.

Foto: Denise, Dolores e Bonné Dunning – Skyy

Para fechar, revisitamos e reencontramos clássicos com todo o respeito que merecem: Curtis Hairston ganha nova roupagem equilibrada em I Want You (All Tonight) pela edição Boogie Down Edits, mantendo o brilho do boogie dos anos 80. Skyy retorna com Show Me the Way na versão que une o toque original de Shep Pettibone ao tratamento elegante de Dimitri from Paris, preservando a essência da banda nova-iorquina. Encerra o programa Space Funk ao lado de JKriv em A Love Like This: a batida firme, o piano quente em uma celebração final, cheia de groove que nunca sai de moda.

Ainda não ouviu? Ouça o Jazzmasters aqui.

Jasmine Rose Wilson, a Baby Rose, cresceu entre Washington DC e Carolina do Norte. Estudou no Berklee College of Music durante a pandemia, foi indicada ao Grammy e já trabalhou com BADBADNOTGOOD. Sua voz grave, densa e cheia de personalidade já foi comparada a grandes divas; hoje assina com a gravadora independente Secretly Canadian.

O vídeo é de “But, Nvm”, single que antecipou o seu terceiro álbum ‘Yearnalism’ (lançado agora em Julho) e que está nesta edição do Jazzmasters. Ao seu lado Ryan James Carr na bateria, Biako no baixo e Caine Harmon na guitarra.

Confira esse som de Baby Rose:

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