Percorremos neste Jazzmasters um caminho que cruza gerações e continentes: de clássicos dos anos 80 refeitos passando por nova safra de artistas que misturam soul, jazz e R&B com identidade, até pistas onde o som de ontem renasce com energia nova.

Abrimos com Kevin Flournoy convidando Phil Perry e Shannon Pearson em Tell Me If You Still Care. É versão da canção escrita por Jimmy Jam e Terry Lewis e gravada por The S.O.S. Band em 1983. Flournoy mantém estrutura e harmonia, troca bateria eletrônica por bateria acústica programada com pegada mais quente, substitui baixo sintetizado por baixo elétrico e divide a letra entre os dois convidados. Segue Cecily com Brandon Lane em Forget Me Nots. A original é de Patrice Rushen de 1982, com linha de baixo que todo mundo conhece. Cecily desacelera, troca bateria e baixo marcante por batida discreta e teclados de timbre escuro. A voz vem com menos impulso e mais pausas. Corajosa a escolha de transformar sucesso dançante em balada íntima, sem perder melodia nem letra. Fecha o bloco Meshell Ndegeocello com Lianne La Havas em Don’t Look Any Further, faixa do álbum Synonym, lançado em 2 de outubro de 2026. A original é de Dennis Edwards e Siedah Garrett, de 1984. Meshell reharmoniza com baixo num ataque suave, batida discreta e vozes que se alternam sem disputar espaço. É o primeiro disco de duetos dela e, como se vê, ela não tem medo de desmontar clássico para entender o que tem dentro.

Seguimos com Zaska e Shiv em What We Had, lançado em 2026. Faixa original do álbum NECTAR. Gravada com guitarra limpa, baixo e bateria discreta. Shiv canta com voz próxima, sem forçar volume. Sem solos, sem quebras. Segue Olive Jones com End of Time, faixa do álbum For Mary, de 2026. Voz suave sem pressa, arranjo que não atrapalha. Ela não tenta impressionar com truques; só conta a história. E conta bem. Fecha o bloco Nia Smith e Don’t Cry, do EP de estreia de 2024. Aos 21 anos, depois de abrir shows para SZA e Tems e ser apontada como revelação, ela canta com voz que parece ter vivido mais que a idade. Arranjo simples, gravação direta, sem maquiagem, e por isso funciona melhor.

Entramos em território mais contemporâneo com Robyn Florence e DAVIES em Get Away From It. Os dois trocam frases e cantam juntos no refrão sem confundir espaço. A composição é sobre afastar-se do ruído. Faz sentido: a própria canção é limpa e deliciosa. Segue Ego Ella May e What You Waiting For, faixa do álbum Good Intentions, de março de 2026. Coproduzida com Tom Excell, traz batida quebrada, andamento com baixo suave e a voz maravilhosa de May. Fecha o bloco o grupo australiano Mondo Freaks com Find A Way, lançado em 2025. Gravada inteira com instrumentos ao vivo, sem som programado. Bateria com pegada funk, baixo sincopado, guitarra e vozes que se alternam. Mixagem por Michael Brauer, que trabalhou com Luther Vandross e Aretha Franklin. E se percebe: eles aprenderam com a escola certa. Sem truques, sem frescura, só groove.

E o programa avança com Ben Westbeech e Something For The Weekend, faixa do álbum de 2011. Voz suave sobre batida house leve e baixo pulsante. Canção que equilibra calor de soul e pegada de pista, sem exagerar de nenhum lado. Segue Michael Gray convidando Bran Mazz em I Like The Way, faixa do álbum de 2026. Dançante e tudo no seu lugar com sintetizadores que não atrapalham a voz. Michael Gray sabe o que faz: há trinta anos entrega canções que funcionam na pista e na memória, sem complicação. Encerra o programa The Blessed Madonna com o quinteto sul-africano The Joy em Shades Of Love. As harmonias respiram facilmente e a canção ganha coração. Como diz a própria artista: o amor é o que nos une. E boa música, também.
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Olive Jones tem conquistado seu espaço de forma discreta e elegante nas cenas de soul e jazz do Reino Unido. Sua habilidade em fundir soul, jazz e folk confere ao seu som uma riqueza que soa ao mesmo tempo terrena e etérea.
Com seu álbum de estreia “For Mary”, lançado no meio deste ano pela Nettwerk e uma turnê como atração principal, fica claro que Olive não está apenas compartilhando canções — ela está construindo um universo todo próprio com toda sua verdade, nota por nota.
Confira: Olive Jones – End Of Time