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Ele Está De Volta Com Funk E Letras Em Português. Ed Motta Apresenta Toc-Toc

Foto: Lettuce

Nesta edição “jazzmasteriana” começamos com Lettuce, banda que aprendeu a amar a música ouvindo o hip-hop e agora devolve com todo o talento instrumental: em Rising to the Top, revisitam Keni Burke com baixo firme, metais brilhantes e voz cheia de Soul honrando o original. Em seguida, Kraak & Smaak entregam-se à transformação assinada por Jitwam. O produtor sul-africano rebaixa o ritmo, aprofunda a atmosfera e dá nova cor à voz de IVAR e Berenice von Leer, criando uma versão aveludada e hipnotizante. Fecha essa trinca inicial o Fifi’s Spaceship, grupo nascido na escola de música de Basileia, na Suíça, que mistura raízes do jazz com leveza pop e energia contagiante, provando que a nova geração sabe unir virtuosismo e sentimento, naturalmente.

Foto: Maysa

Seguimos com Jazzhole, projeto que há décadas funde jazz e alma nova-iorquina: em Damn I Miss New York, a voz calorosa de Marlon Saunders e a guitarra de John Pondell, que tocou com quase todas as lendas da música, desenham uma homenagem sentida à cidade, suas luzes e suas lembranças. Depois, o encontro de dois mundos: o guitarrista britânico Chris Standring abre caminho com elegância para a voz potente e cheia de classe de Mica Paris, que canta sobre amor que não precisa de explicação, apenas de confiança. E Maysa, voz que se tornou referência em todo o mundo, assume com coragem e brilho o clássico Street Life, dos Crusaders com Randy Crawford: ao lado do guitarrista JJ Sansavarino, ela entrega uma versão que mantém a força e a mensagem original, mas reveste tudo com sua marca inconfundível, elegância, emoção e classe.

Foto: Brae Leni

A pista e o sentimento se encontram neste segundo set. Tom Funk renova o som dos anos 70 e 80 com instrumentos reais e convida Brae Leni, voz que cresceu ouvindo os grandes nomes do soul, para cantar sobre o retorno ao amor que vale a pena. Depois, a despedida sensível de Joyce Sims: poucos meses antes de nos deixar, ela gravou com suavidade e elegância a imortal What You Won’t Do For Love, de Bobby Caldwell, deixando como presente uma interpretação serena e cheia de verdade. Fecha esse bloco Charles Jenkins, compositor premiado que atravessa gerações com humildade. Em Date Night, ele reduz tudo ao essencial e coloca carinho, presença e tempo compartilhado, mostrando que a maior sofisticação é a simplicidade que vem do coração.

Foto by Bispo: Ed Motta

Chegando quase ao final do programa, é quando Antonio Barret, cantor franco-peruano radicado na Califórnia chega em parceria com o coletivo francês Nice Guys, misturando o balanço elegante do piano, o brilho quente dos sintetizadores retrô e uma voz que canta com charme dançante. Resumo, o groove não tem nacionalidade nem idade. E chega o momento especial desta edição: Ed Motta. Em Toc-Toc, ele retorna ao português após treze anos, trazendo tudo o que aprendeu e viveu em mais de três décadas de estrada. O funk de James Brown bate firme no peito, o brilho do electro-funk dos anos 80 reluz em cada sintetizador, e a herança brasileira flui com naturalidade, sem se impor, sem se perder. Produzida com Michel Limma, não é uma cópia do passado, é uma releitura consciente. “Música eletrônica e composição tradicional geralmente são mutuamente exclusivas”, explica Motta. “Eu queria encontrar uma maneira de conectar essas duas formas musicais de maneiras inesperadas. Não é música eletrônica propriamente dita, porque minhas músicas seguem uma estrutura dramática diferente, mas tudo é gravado usando uma bateria eletrônica e um sintetizador de baixo. Com minhas músicas, quero alcançar um lugar que ainda não existe.” Enfim, é música que soa nova e ao mesmo tempo parece sempre ter estado conosco. E para encerrar com chave de ouro, a referência que tudo explica: Midnight Star, banda de Kentucky que definiu o som dos anos 80 com sintetizadores brilhantes e ritmo inconfundível, em Midas Touch

Ainda não ouviu? Ouça o Jazzmasters aqui.

Ed Motta, chamado no texto de assessoria como “Rebelde Discreto”, continua sendo um compositor apaixonado; os elementos eletrônicos em seu novo álbum, no entanto, são as vestes com as quais ele dá vida à sua imaginação. A atmosfera de suas músicas se inspira principalmente no funk vibrante do final dos anos 70 e início dos anos 80. Motta cita ícones americanos dos anos 70, como Cameo e S.O.S. Band, para ilustrar a fonte de sua inspiração. “Quando adolescente, fiquei incrivelmente impressionado com essa música, e hoje estou buscando essa energia novamente”, diz Motta. “Eu olho para o passado para seguir em frente. É um jogo com a memória. Naquela época, essa música tocava constantemente no rádio. Antes de começar a colecionar discos, o rádio era minha principal influência. Isso já passou, mas a vida continua. Preciso encontrar novas maneiras de trazer essa energia de volta.”

Olha ai Ed, essa energia, no Rádio novamente, aqui no Jazzmasters, influenciando novas gerações que estão olhando para os 70 e 80 com muito carinho.

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