Chantay Savage

Chantay Savage Se Une A Terry Hunter E James Poyser

Percorremos neste programa um percurso que liga Los Angeles à Nova Zelândia, clássicos que atravessam décadas e vozes novas que reescrevem o que herdaram.

Foto: Leon Bridges

Abrimos com Terrace Martin & Alex Isley e Paradise, faixa de abertura do álbum I Left My Heart In Ladera. Martin, cinco vezes indicado ao Grammy, é produtor e curador que há anos conecta jazz, funk, R&B e hip-hop na cena de Los Angeles. Alex Isley, divide aqui a interpretação da canção escrita por Sade Adu e Andrew Hale, gravada originalmente pela Sade em 1988 no disco Stronger Than Pride. Sai o brilho dos anos 80, entra uma entrega mais íntima e pessoal. Segue Leon Bridges com Lydia Kitto em All Day, All Night, faixa do quinto álbum Happiness Anytime. Leon surgiu em 2015 resgatando a soul dos anos 60 e vem ampliando sua linguagem desde então, com três indicações ao Grammy. Aqui trabalha com J Lloyd-Watson e Lydia Kitto, dois terços da banda Jungle, que trouxeram referências de afrobeat, música brasileira e disco. Fecha o bloco threetwenty e Still Blessed, último single antes do álbum de estreia Separate From The Noise, previsto para 2026. O projeto é formado pelo produtor sueco Filip Hunter e pela cantora nigeriana-americana Ivana Nwokike, que já fazia parte do duo VanJess. O nome faz referência à data em que se conheceram e a um versículo bíblico. A pegada é mais jazzística desta vez, com bateria que marca ritmo constante e teclados suaves.

Foto: Teisha Marie

Mudamos de energia com Chantay Savage com Terry Hunter & James Poyser em Still (Radio Edit), lançado pela Mirror Ball Recordings. Chantay Savage é voz marcante do R&B dos anos 90, que se destacou com a versão lenta de “I Will Survive” em 1996 e álbuns como Here We Go… e This Time. Aqui reúne-se com Terry Hunter, DJ e produtor de Chicago indicado ao Grammy, que redefiniu o house ao lado de nomes como Chaka Khan e Beyoncé, e com James Poyser, produtor vencedor do Grammy e integrante do The Roots, que ajudou a construir o neo-soul ao lado de Erykah Badu e D’Angelo. Os dois assinam a produção sob o nome de Julius Jordan. Segue Crossroads com Teisha. Crossroads é dupla de Milão formada por Alex De Ponti e Paolo Rey, que constrói grooves há alguns anos. Teisha Marie voltou a aparecer com força, depois do álbum Addicted to Life, de 2007. Soulpersona, nome de Morgan Howell, é produtor do norte de Londres que cuida de cada retoque com estética de raridade dos anos 90. Fecha o bloco Louis Baker e Keep On (Larse Remix). Ele é cantor de Wellington, na Nova Zelândia. A canção fala de perseverança e faz parte do álbum Open, de 2019. Larse, DJ que lançou por Defected e Glitterbox, elevou o andamento, reforçou a linha de baixo e deu mais espaço à percussão, mantendo a voz praticamente intacta.

Foto: Dam Swindle – Lars Dales e Maarten Smeets

Entramos em território mais dançante com Dam Swindle e Haile Supreme em Not Enough, faixa do álbum The Rhythm, lançado pela Heist Recordings em 2025. A dupla holandesa formada por Lars Dales e Maarten Smeets atua desde 2008, antes com o nome Detroit Swindle, e é referência mundial no house. Criaram o próprio selo para lançar também nomes novos como Nachtbraker e Fouk. Haile Supreme, nome artístico de Abbay Misganaw, traz voz forte e presença que mistura blues, soul e influências raiz. Segue Antonio Faraó com Claudia Campagnol em Part of You, faixa do álbum Eklektik, Antonio Faraó é pianista italiano formado no Conservatório de Milão, que tocou com nomes como Jack DeJohnette, Manu Katché e Miroslav Vitous. Claudia Campagnol é cantora formada na Suécia, radicada na Dinamarca, que chegou à final do concurso Young Jazz e lançou o álbum de estreia I’m Strong. A gravação contou ainda com Marcus Miller no baixo e Manu Katché na bateria. Fecha o bloco Bah Samba e Let the Drums Speak, versão atualizada lançada em 2025 pelo selo próprio do projeto. Liderado por Julian Bendall desde meados dos anos 90, o projeto uniu-se a integrantes do próprio The Fatback Band, que gravou a original em 1975, para regravar a faixa com participação direta de Bill Curtis na bateria e Jonny Flippen no baixo. Mantiveram estrutura, refrão e andamento, regravando com som mais limpo sem perder a energia que marcou o original.

Foto: Louise Marshall

E o programa avança com The Sunburst Band com Pete Simpson em Caught In The Moment. O projeto é liderado por Dave Lee, figura central do disco e house europeu há décadas. Pete Simpson é voz frequente nas gravações de Lee. Segue WEISS com Louise Marshall em Promises. WEISS é Richard Dinsdale, produtor britânico que foi aprendiz do engenheiro de som do Massive Attack e traz influências que vão da Motown ao rock. Louise Marshall é cantora que colaborou com Groove Armada e nomes da cena house. A faixa foi construída para funcionar na pista. Encerra o Jazzmasters Walter G com Jay Caruso em From East To West. Walter Graffeo é DJ e produtor que cresceu na loja de discos do pai. Jay Caruso é produtor e vocalista baseado no Reino Unido, que trabalha com selos como Quantize Recordings. A faixa é inspirada no clássico da Voyage, de 1977.O resultado é som que homenageia o passado sem soar pastiche.

Ainda não ouviu? Ouça o Jazzmasters aqui.

O álbum de Terrace Martin “I Left My Heart In Ladera” tem na faixa de abertura e primeiro single do álbum, uma versão inspiradora de “Paradise”, de Sade, e transcende a mera nomenclatura. É uma jornada musical rumo a um estado de euforia, proporcionado pelo gênio criativo de Martin e pelos vocais suaves de Isley. Dando vida a “Paradise” em um videoclipe altamente estilizado, dirigido por child. (Doja Cat, Post Malone, HER).

Confira: Terrace Martin & Alex Isley – Paradise

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