alabama shakes

O Aguardado Retorno De Alabama Shakes

E abrimos o Jazzmasters com a notícia que o mundo inteiro esperava: Alabama Shakes vem com novidade. Garden, lançada em 4 de agosto de 2026, é a primeira música nova da banda em mais de uma década e abertura do terceiro álbum I Must Be Dreaming. A voz de Brittany Howard parece brotar da terra, quente e profunda, cantando com calma e devagar sobre crescimento e paciência, num arranjo aberto e leve que deixa a história contar-se sozinha. Tem soul, blues, folk, e a prova de que a química entre os quatro amigos permanece intacta.

Foto: Sharon Jones & The Dap Kings

Seguimos com Aaron Frazer e If I Got It (Your Love Brought It), joia de 2021 produzida por Dan Auerbach. O cantor, baterista e multi-instrumentista, conhecido originalmente como voz e baterista da banda Durand Jones & The Indications caracteriza-se por uma voz falsete inconfundível, suave e luminosa, inspirada nas grandes vozes do soul dos anos 60 e 70. E a força chega com Sharon Jones & The Dap-Kings em How Long Do I Have to Wait for You?, de 2005, gravada com aquele som quente e direto. A nossa saudosa Sharon pergunta com impaciência e charme quanto tempo esperar, os Dap-Kings respondem com metais brilhantes. É o mais puro groove.

Foto: Ben Jacobs (Crackazat)

O cenário muda, ganha brilho e sofisticação: Mark Ronson vem ao lado de RAYE, em som que reúne o produtor que sabe cada canto da história do soul e a voz que tem força e doçura na mesma nota, em arranjos luxuosos de cordas e ritmo elegante que lembra os grandes dias da Philadelphia International, onde RAYE canta com entrega total e sem exagero. A descoberta chega com Alexander IV e a cantora convidada Cézanne, trabalho mais introspectivo do holandês Joris Feiertag, ex-membro do aclamado grupo holandês de funk Kraak & Smaak, onde jazz, soul e batida convergem com sutileza. Combinando samples meticulosos com instrumentação ao vivo, Alexander IV ou Joris como queiram, cria composições cinematográficas e comoventes que transcendem épocas e atmosferas. Suas produções frequentemente contam com a colaboração de músicos renomados da cena jazz e soul holandesa. E o piano entra brilhante em Crackazat e Pick Me Up. Ele é na verdade, Ben Jacobs, pianista formado em Bristol que hoje traz ao mundo a fusão de jazz e house. Quando se trata de seus shows ao vivo, Crackazat eleva o padrão, até mesmo em shows de abertura para Bonobo e Floating Points.

Foto: Irvine Welsh

Lançada em maio de 2025, A Man In Love With Love reúne Irvine Welsh e The Sci-Fi Soul Orchestra, com voz de Shaun Escoffery, faixa do álbum inspirado no livro homônimo de Welsh (Trainspotting). Segue a receita do disco orquestrado dos anos 70: cordas, bateria com peso no primeiro tempo e metais usados como acento. Nenhuma camada atrapalha a voz, produção bem equilibrada. Yung Bae lança mão de referências ao boogie dos anos 80 em Dance and Fall in Love, com Ric Wilson. O baixo conduz a faixa, sintetizadores tem linhas curtas e repetitivas, bateria traz a pegada característica do período. Wilson fala mais do que canta, com energia certa e sem atrapalhar o andamento. Fecha o bloco a reedição de Down To Love Town, gravada originalmente em 1976 pelos The Originals para a Motown e retocada na versão Brass Lamp. A edição mexeu pouco: ajustou equilíbrio de frequências e clareza vocal, sem alterar tempo, harmonia, nem o caráter da gravação. Respeito ao original é o nome do jogo.

Foto: “Little” Louie Veja

Chegando quase ao final do programa It Must Be Luv, de Phazed Groove, é reinterpretação do clássico homônimo gravado em 1978 por Alton McClain & Destiny, produzido originalmente por Frank Wilson. A linha de baixo permanece como eixo, com teclados que preenchem sem ocupar frequência média e batida que reforça o ritmo. A voz segue a dinâmica original, com fraseado que respeita o espaço entre as notas. Antonello Ferrari e Aldo Bergamasco apresentam Keep On Pumpin (Club Mix), versão sobre o clássico Keep On Pumpin’ It Up, gravado em 1990 pelo Freestyle Orchestra com vocais de D’Borah e produzido por “Little” Louie Vega e Todd Terry. A construção prioriza percussão com ataque definido, linha de baixo contínua e cordas que sobem gradualmente, sem sobrepor-se à voz. Por fim, Dance Some More, do projeto Disco Incorporated, recupera a estrutura do disco final dos anos 70, com referência clara à estética de Dance, Dance, Dance (Yowsah, Yowsah, Yowsah), sucesso de 1977 escrito por Nile Rodgers, Bernard Edwards e Kenny Lehman para o CHIC. Batida com tempo estável, sem excesso de camadas nem adorno desnecessário. Enfim, uma despedida perfeita para esta edição.

Ainda não ouviu? Ouça o Jazzmasters aqui.

A banda Alabama Shakes, vencedora de quatro prêmios Grammy, lançou “Garden”, e já estamos com ela no Jazzmasters É a mais recente prévia de seu aguardado novo álbum, “I Must Be Dreaming”. A faixa chega antes do lançamento do disco ainda este mês, marcando mais um passo importante na preparação da banda para seu retorno com o primeiro álbum de estúdio completo em mais de dez anos.

Mantendo-se fiel ao som soul e com influências de blues que consagrou o Alabama Shakes como uma das bandas de rock mais importantes de sua geração, “Garden” aponta para uma evolução empolgante que está por vir no novo álbum.

‘I Must Be Dreaming’ será lançado pela Island Records em 28 de agosto e representa o tão aguardado retorno do grupo após uma década longe do formato de álbum. Com a expectativa crescendo cada vez mais, o lançamento de ‘Garden’ oferece mais uma amostra convincente do que promete ser um dos projetos mais importantes da banda até hoje.

Confira: Alabama Shakes – Garden (Official Lyric Video)

Search

Últimas postagens

O Aguardado Retorno De Alabama Shakes

Ele Está De Volta Com Funk E Letras Em Português. Ed Motta Apresenta Toc-Toc

Cookin’ On 3 Burners Brilham Novamente Com Seu Hammond Funk & Soul

Fundamental: James Taylor Quartet E Convidados Especiais no Jazzmasters

Um Dos Melhores Do Ano. Eis O Terceiro Álbum de Baby Rose, ‘Yearnalism’

Apresentamos O Lançamento de Kokoroko Com Luedji Luna

Compartilhe