Natalie Cole

Destaque Para Natalie Cole, Em Clássico Revisitado Por Valique

Esse Jazzmasters começa matando saudade, atravessa gerações e termina com pista cheia, mas sem perder o fio condutor: a elegância da black music. Do clássico revisitado ao groove contemporâneo, há um cuidado em mostrar como o soul, o funk e o R&B continuam vivos, pulsando entre o orgânico e o eletrônico. E aqui, começamos com um hino que não envelhece.

Foto: Lee Fields

A abertura com Natalie Cole já diz muito, “This Will Be” é mais do que um hit, é uma assinatura de época, uma celebração do soul otimista dos anos 70. Filha de Nat King Cole, Natalie construiu sua própria história com brilho, e essa faixa é o ponto de partida dessa identidade. No remix do russo Valique, o clássico ganha nova pulsação sem perder a alma, respeita o original e o reposiciona na pista. Na sequência, o encontro entre Mousse T. e Lee Fields é quase didático sobre o que é soul de verdade. Fields, muitas vezes comparado a James Brown, carrega na voz aquela aspereza emocional que não se fabrica nas IAs da vida e fechando o primeiro bloco, “Pray” traz a espiritualidade urbana de Louisa Rox com a produção de Andy Taylor. Aqui o soul encontra o gospel, o jazz e o chillout, num clima introspectivo que desacelera sem perder densidade.

Foto: Eddie Kendricks

A transição para o segundo bloco mergulha na tradição. The Pointer Sisters aparecem com “Having a Party”, lembrando que antes da pista eletrônica existia a celebração orgânica com vozes, arranjos, banda, energia coletiva. O projeto SUMO traz “Let’s Get Started” com essa estética híbrida que define os anos 2000 em diante, eletrônica com soul e beats com instrumentação real. E então entra Eddie Kendricks, ex-The Temptations, com “Body Talk”. Seu falsete inconfundível é uma das marcas registradas da era Motown. Aqui não tem truque, não tem filtro, é interpretação, é feeling. Kendricks representa uma escola onde cantar era contar história com o corpo inteiro.

Foto: Jamie Lidell

O terceiro bloco é sobre sofisticação contemporânea. The Foreign Exchange, com Phonte e Nicolay, mostram como o neo soul evoluiu sem perder identidade. “Better” é refinada, elegante, e aí surge um dos pontos altos do programa: Omar. Em “Be A Man”, ele reafirma por que é uma instituição do soul britânico. Formado musicalmente, multi-instrumentista, Omar tem algo raro — autoridade sem arrogância. Sua música é quente, humana, construída com conhecimento e emoção. Na sequência, o projeto Jets com Jamie Lidell revisita “Midas Touch” com uma estética mais experimental. Aqui o passado é desconstruído — não é nostalgia, é releitura. O groove vira textura e a melodia ganha novas camadas.

Foto: Taliwa

O último bloco é pura celebração da pista contemporânea com consciência histórica. Taliwa abre com “Music For My Sun”, trazendo frescor e leveza, com raízes claras no house soulful londrino. O coletivo Personal Life, com Stuart Lisbie e remix de Opolopo, reforça essa ideia de resgate com elegância. É disco-funk feito hoje com respeito absoluto ao passado, e o fechamento com The Motet é emblemático: uma banda que entende o funk como experiência coletiva. “Extraordinary High” não é só música, é performance, é energia compartilhada, como faziam Earth, Wind & Fire ou Parliament-Funkadelic, onde a pista era quase um ritual.

Ainda não ouviu?? Ouça o Jazzmasters aqui.

Dirigido por Kenneth Price, o vídeo traz Phonte Colleman nos vocais com Shana Tucker e Eric Roberson, acompanhados de Nicolay no teclado . Com um visual em preto e branco impecável, o clipe remete ao vídeo de “Picture Perfect” do Erro, que também conta com a participação de Phonte.

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