Dave Lee

O Alquimista Dave Lee Apresenta Seu Tributo Moderno À Alma Vibrante de Chicago

A edição do Jazzmasters que está no ar pelo Brasil nesta semana é daqueles programas que parecem uma sessão ao vivo, dividida em 12 atos com uma mistura de elegância contemporânea, groove vintage e pura emoção musical, sem IA no caminho. É um passeio por décadas de soul, R&B e funk reinterpretados com sensibilidade moderna. Cada faixa parece dialogar com a anterior, num fio condutor que fala de amor, desejo, nostalgia e renascimento criativo. Um programa que começa leve, ganha corpo e termina transcendendo o próprio conceito de pista de dança com um mago das produções.

Foto: Alex Isley

Nas três primeiras faixas, o clima é de soul leve e delicioso. Alex Isley, herdeira dos lendários Isley Brothers, abre o programa com “Too Bad I Forget”, em um remix que realça sua voz aveludada. Goodman e Sarah Lois seguem com “Something I Can’t Do”, um deep house que poderia estar tocando num beach club, o tipo de faixa que relaxa e convida. Já Pherris – “Are You_”, ao samplear Aaliyah e Timbaland, acende aquela faísca nostálgica na gente, revivendo um dos sons mais sensuais dos anos 90 com batidas de Brooklyn. Três músicas que abrem o programa com leveza, groove e sofisticação emocional.

Foto: Ernie McKone

Entre as faixas 4 e 6, o Jazzmasters entra em seu território mais quente e o destaque absoluto aqui é “That Girl”, de Ernie & The Family McKone com Laura Jackson. É uma obra-prima moderna do boogie britânico: baixo preciso, sintetizadores na medida e vocais que parecem nos transportar para o melhor dos 80. Ernie, veterano da cena londrina, recria com perfeição o espírito do soul funk dessa década, mas com frescor e uma energia que é pura celebração. Antes dele, Leven Kali em “Sleepwalking” mostra porque é considerado o novo príncipe do R&B contemporâneo — jazz espiritual, batidas quentes e um vocal que passeia entre o groove e o devaneio. Depois, edbl ( Ed Black ) e Albert Gold, em “Better Now”, encerram esse bloco com soul-pop elegante, daqueles que poderiam tocar em qualquer rádio entre Londres e Los Angeles.

Foto: Monstress

Na sequência, o programa mergulha num groove mais orgânico, cheio de história e balanço. As garotas do Monstress e Jade Kenji misturam funk, neo-soul e spoken word com atitude feminina e groove australiano. Chain Reaction – “Search For Tomorrow” e Odyssey – “Battened Ships” trazem o espírito da soul americana setentista, com metais e harmonias que ainda soam vivos e atemporais. São canções que conectam o ontem ao hoje, lembrando que o soul, mais do que um gênero, é uma linguagem universal sensual, espiritual e sempre em movimento.

Foto: Opolopo

O último bloco é pura catarse. Misumani e First Touch acendem a pista com boogie eletrônico elegante, preparando o terreno para o remix explosivo de Adina Howard – “Freak Like Me” pelos holandeses da Fouk — um reencontro entre o empoderamento feminino dos anos 90 e o house funk europeu de 2025. Mas o grand finale pertence ao mestre Dave Lee e sua AC Soul Symphony, em “Windy City Theme”, remixada com brilho e reverência por Opolopo. O produtor sueco transforma a faixa em um turbilhão groove e sintetizadores boogie-funk em uma homenagem vibrante a Chicago, berço do House e do Urban Soul. É música feita com o toque de quem entende que o som pode ser ao mesmo tempo sofisticado e profundamente humano.

No fim, a gente provoca uma conversa entre gerações e geografias: de Los Angeles a Londres, de Chicago a Sydney, de 1972 a 2025. Um programa que não apenas toca Soul, ele respira Soul.

Ainda não ouviu? Ouça o Jazzmasters aqui.

Monstress é um quarteto feminino vibrante e incrivelmente confiante que traz algo diferente e único para a cena musical. Liderada por Sarah Homeh, sua voz sensual, acompanhada por uma seção rítmica pulsante e um saxofone sedutor, vai te fazer vibrar na cadeira ou te jogar na pista de dança.

Sua música é uma mistura singular de R&B, jazz, funk, neo soul e spoken word. Elas citam como influências: Esperanza Spalding, Robert Glasper, H.E.R., Erykah Badu, Meshell Ndegeocell e muitas outras.

Confira o vídeo da música que separamos para esta edição:

Search

Últimas postagens

Intensa, Criativa E Com Sonoridade Atemporal, Conheça Ella Thompson

Atmosfera Dos 80 No Trabalho De SG Lewis

Jazzmasters Relembra Seus Primeiros Anos Na Extinta Eldorado FM. Hil St. Soul Estava Lá

Japão Se Funde À Inglaterra Com Kroi E Incognito

Sekou, Aos 21 Anos, É O Novo Rosto E Voz do Soul

Da Novidade à Longevidade – Adi Oasis E Incognito Invadem O Jazzmasters

Compartilhe